<i>Finex-Tech</i> não pode escapar
Mais de uma centena de trabalhadores da Finex-Tech manifestaram-se na tarde de quarta-feira, dia 12, frente à embaixada da Finlândia, em Lisboa, e deram a conhecer ao embaixador os motivos do seu protesto contra o encerramento da unidade fabril têxtil, instalada há mais de quatro décadas no concelho da Maia. A 19 de Setembro do ano passado, a empresa entrou no quarto processo de lay-off, desde 2009, suspendendo os contratos a todos os 110 trabalhadores (mulheres, na sua grande maioria) por 12 meses. A 13 de Julho, a administração comunicou que iria apresentar um pedido de insolvência, aceite pelo Tribunal do Comércio de Gaia no dia 27 de Agosto. No entanto, ao regressarem de férias, a 16 de Agosto, as operárias encontraram a fábrica encerrada.
Para o Sindicato Nacional dos Profissionais da Indústria e Comércio de Vestuário e de Artigos Têxteis, da Fesete/CGTP-IN, o pedido de insolvência é apenas uma habilidade, para a multinacional procurar fugir ao pagamento das indemnizações por despedimento, estimadas em cerca de dois milhões de euros. À agência Lusa, no dia 12, Domingos Pinto citou a fundamentação apresentada ao tribunal, onde é admitido que a insolvência não é um facto, mas a consequência esperada de uma decisão do dono da fábrica e seu único cliente, o Grupo L-Fashion. O dirigente sindical reafirmou que este vai deixar de enviar encomendas para Portugal, porque deslocalizou a produção para a China.
A assembleia de credores está convocada para a próxima quinta-feira, 27.
Cerâmica de Valadares
Os trabalhadores da Cerâmica de Valadares, em Vila Nova de Gaia, decidiram deslocar-se ontem a Lisboa, para exigirem ao ministro da Solidariedade e Segurança Social e ao Governo medidas que garantam o futuro da empresa e dos postos de trabalho. A concentração frente ao Ministério de Mota Soares, na Praça de Londres, foi marcada num plenário, dia 11, onde foi analisada a suspensão do lay-off fraudulento pela Segurança Social, a partir do sábado anterior, atendendo um requerimento dos trabalhadores. Numa nota divulgada anteontem, a Feviccom/CGTP-IN reiterou que os operários «não querem manter esta situação, nem querem emigrar, mas pretendem, sim, voltar a trabalhar e a produzir, com outra administração que assuma os seus compromissos e respeite o contrato colectivo de trabalho».